A obesidade ataca o fígado

Atualizado: 03/06/2017

Temos presenciado o crescimento das cifras de obesidade e de suas complicações em todo o mundo.

Mas, especialmente alarmante e inédito, é como a obesidade ataca o fígado pelo acúmulo de gorduras em suas células, o que pode evoluir para uma hepatite gordurosa, uma fibrose e finalmente chegar a uma cirrose hepática.

“Essas formas de lesões hepáticas, caracterizadas pelo acúmulo de gordura no fígado, não têm relação com o consumo abusivo de álcool e já representam a lesão hepática mais frequente nos países ocidentais, com uma prevalência estimada de 10 a 25% das pessoas em geral, 74% dos obesos e, virtualmente, 100% das pessoas que têm diabetes e obesidade associadas”, alerta a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional.

A obesidade ataca o fígado

obesidade ataca o figadoA origem destas doenças parece ser uma alteração na ação da insulina, fato que ocorre nos diabéticos tipo 2 e em alguns pacientes obesos.

Eles passam a produzir maiores quantidades de insulina para compensar “o defeito do organismo” e com isso passam a estocar mais gorduras nas células do fígado.

Esse quadro é chamado de resistência insulínica e quando ocorre em um paciente não diabético já alerta o médico para a possibilidade dele se tornar diabético.

“Por outro lado, é possível encontrar pacientes magros com esteatose hepática, pois, apesar de mais rara, a resistência insulínica pode ocorrer em pessoas com peso normal, tornando-as mais suscetíveis ao desenvolvimento de diabetes e de hipertensão arterial“, explica a Dra. Paiva.

Em crianças e adolescentes, o quadro tem se mostrado ainda mais grave devido à maior e mais precoce exposição do fígado ao acúmulo de gordura.

Regime

A perda de peso ainda é a pedra fundamental no tratamento da esteatose hepática e suas complicações. Com ela, conseguimos reduzir a gordura corporal e também a gordura do fígado.

Mas a dieta para alcançar esses objetivos tem mudado muito nos últimos anos, uma vez que as pesquisas científicas mais recentes têm encontrado melhores resultados quando a proporção dos carboidratos se reduz um pouco, cedendo lugar para um pequeno aumento no consumo de gorduras boas ou insaturadas.

1- Dieta hipocalórica

Para levar à perda de peso, qualquer dieta se baseia na redução das calorias da mesma, fazendo com que haja uma defasagem entre o gasto calórico do paciente e a quantidade de calorias da dieta.

Ou seja, parece que para perder peso não interessa o teor da dieta, nem a porcentagem de carboidratos, gorduras e proteínas ou a quantidade de refeições diárias. Interessa comer menos do que se gasta.

Entretanto, uma dieta deve emagrecer e alimentar ao mesmo tempo, deve atender às necessidades nutricionais das pessoas, utilizando uma proporção ideal de nutrientes.

2- Porcentagem dos macronutrientes

“Além de levar a perda de peso, uma dieta deve ser balanceada, ou seja, conter carboidratos, proteínas e gorduras numa proporção de 60, 15 e 25%, respectivamente, como advoga as maiores sociedades de nutrição do mundo, incluindo a Associação Americana de Diabetes e de Cardiologia.

O que estamos aprendendo é que nos casos de esteatose, conseguimos melhores resultados, quando reduzimos o teor de carboidratos para cerca de 40% e aumentamos o teor das gorduras para cerca de 45%.

A alteração pode parecer contraditória, pois se queremos reduzir o acúmulo de gordura no fígado, pensávamos, anteriormente, que a dieta deveria conter menos gordura.

Acontece que o nutriente que mais estimula a produção de insulina é o carboidrato e isso parece acentuar a hiperinsulinemia presente nos pacientes com esteatose, agravando a resistência insulínica” , explica Ellen Paiva.

Logo, se reduz a quantidade de carboidratos nas dietas dos pacientes com esteatose, mas isso não significa seguir uma dieta exclusiva de proteínas, não significa abolir os carboidratos, como ensina o Dr. Atkins, por exemplo.

Pelo contrário, a porcentagem de proteínas continua a mesma, o que se faz é aumentar o teor de gorduras poli-insaturadas e monoinsaturadas: azeite de oliva, abacate, castanhas e nozes, sementes oleaginosas como a linhaça, peixes de água gelada como salmão, cavala, arenque, truta, atum e bacalhau frescos.

3- Perda de peso

A perda de peso não deve ser brusca ou muito rápida, pois há relatos de aumento da esteatose em pacientes submetidos à cirurgia do estômago que tiveram perda de peso muito rápida” , recomenda a especialista em Nutrologia.

4- Casos raros

Nos raros casos de pacientes com esteatose hepática e peso normal, lançamos mão de uma dieta com a mesma composição de nutrientes descrita anteriormente, mas com o valor calórico igual àquele calculado para o paciente em questão. “Será normocalórica e não hipocalórica” , destaca Ellen Paiva.

“Hoje, devemos encarar a esteatose hepática como um dos sinais de diabetes em progressão e como uma oportunidade para corrigir o seu curso clínico, no sentido de evitar o diabetes. Isso pode ser real, quando aliamos dieta apropriada, medicamentos e atividade física” , diz a diretora do Citen.

Fonte principal: Jornal de Araraquara

Esperamos que tenha gostado deste post sobre como a obesidade ataca o fígado.

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